ABESO, SBD e SBEM querem chamar a atenção para o debate pela taxação de bebidas açucaradas e proibição da publicidade infantil 

A campanha Comer Bem Sim possui dois grandes pontos que merecem atenção especial e que estarão presentes em diversos espaços, seja no game, no site ou nos materiais de divulgação. O primeiro deles é a necessidade da taxação de bebidas açucaradas, em oposição aos subsídios fiscais hoje oferecidos no Brasil.

 

“O Brasil, na contramão da tendência mundial de taxar bebidas açucaradas, subsidia o setor”, lembra o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), César Luiz Boguszewski. 

 

Enquanto isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e associações de profissionais no mundo discutem o aumento de impostos para bebidas desse tipo, como já acontece em diversos países e regiões como México, Chile, França e parte dos EUA.

 

Um relatório da OMS, publicado em 2016, afirma que um imposto de 20% ou mais resulta em uma queda nas vendas e consumo de bebidas açucaradas, uma forma de fazer com que as pessoas consumam menos açúcares livres, como frutose e glicose, ingiram menos calorias e reduzam o risco de cárie dentária. 

 

“Vale destacar que o consumo de açúcares livres, incluindo produtos como bebidas açucaradas, é um fator importante para o aumento global de pessoas com obesidade e diabetes tipo 2”, destaca Maria Edna de Melo, endocrinologista do Grupo de Obesidade Infantil do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP).

 

Publicidade de bebidas e alimentos voltada ao público infantil

 

Um levantamento de 2020 do Sisvan/Ministério da Saúde, mostra que, no Brasil, uma em cada três crianças com idade entre 5 e 9 anos estava acima do peso, sendo que 9% delas com obesidade e 5%, com obesidade grave.

 

“O maior tempo em frente às telas piora esse cenário, visto que expõe massivamente as crianças a mensagens comerciais de alimentos ultraprocessados que, em geral, contêm muito açúcar, gordura e aditivos”, informa a presidente da ABESO, Cintia Cercato.

 

De acordo com especialistas, até os 12 anos de idade, as crianças ainda não desenvolveram o pensamento crítico e, portanto, são vulneráveis aos apelos de publicidade. “Assim, considerando o fato de que o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados favorece as doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade e diabetes, é urgente a necessidade de proibir a publicidade de alimentos e bebidas voltados ao público infantil”, encerra a assessora governamental da SBD, a endocrinologista Hermelinda Pedrosa.